01/01/2024

O Persifal de Wagner - Aspecto Esotérico



O grande compositor Richard Wagner (1813-1883) inspirou-se em antigas lendas germânicas para produzir a sua magistral obra musical, destacando-se a ópera Parsifal que concluiu um ano antes da sua morte. Trata-se de uma ópera com forte carga mitológica e simbólica que exige a posse de conhecimentos esotéricos para poder-se penetrar o sentido profundo da mitologia germânica riquíssima em tradições ocultas. Parsifal é uma obra profundamente iniciática, na realidade é um roteiro para a superação do Homem na sua longa e árdua jornada na Face da Terra.

Basicamente, na ópera Parsifal destacam-se seis personagens principais, cada um deles expressando determinados valores iniciáticos. São eles: Titurel, Klingsor, Amfortas, Parsifal, Kundry e Gurnemanz. Estes personagens vêm a ser reflexos ou arquétipos psicológicos de determinadas experiências vividas por todos nós.

 

TITUREL, O GUARDIÃO DA TAÇA 

Titurel é um cavaleiro valente que por ser portador de muitos méritos ficou como guardião de objectos de valor excepcional, ou seja, foi- lhe confiada a guarda da Divina Taça do Santo Graal, bem assim como a da Lança com que o centurião Longuino feriu o Nazareno por ocasião do sacrifício que lhe foi imposto. Com o passar do tempo, Titurel, já envelhecido, transferiu o precioso legado ao seu filho Amfortas.

Como sempre acontece, a Obra dos Deuses na Face da Terra sofreu combate cruel por parte daqueles que estão contra a Lei Divina. Como polarização dos contrários, apondo-se a Titurel está o mago negro Klingsor. Este mago expressa os restos kármicos dos males acumulados pela Humanidade através das Idades. Klingsor ambicionava pertencer à divina progénie da Guarda do Santo Graal, contudo, não possuía os valores exigidos para tão excelso desiderato. Carecia da pureza exigida aos Cavaleiros que guardavam a Taça Sagrada, e por isso foi recusado por Titurel que era inflexível no cumprimento do seu dever.


KLINGSOR, O MAGO TENTADOR

Klingsor foi tomado de profunda revolta por ter sido preterido nas suas ambições de ser Cavaleiro. Jurou que, custasse o que custasse, se apossaria das relíquias sagradas do Graal. Ele sabia, como mago que era, que a posse da Taça implicaria na aquisição de poderes sobre-humanos, a fim de com eles satisfazer a sua vaidade e ambição de poder. Visando esse objectivo, Klingsor constrói um Castelo Encantado em volta do qual havia um Jardim de Delícias onde as flores se transformavam em belas mulheres, com o fim de tentarem seduzir os Cavaleiros que procuravam alcançar o pico do Monte da Salvação ou Mons Salvat. Na realidade, tratava-se de uma prova iniciática igual há que os peregrinos de todas as épocas têm de vencer para alcançar o cume da Iluminação. Segundo a lenda, os fracos que se deixavam seduzir pelas belas mulheres-flores ficavam escravos do cruel mago negro Klingsor, e assim não logravam alcançar o Montsalvat, eterno objectivo de todos os demandantes da Suprema Realização Interna.


CHAGA QUE NUNCA DEIXA DE SANGRAR

 

AMFORTAS É A EXPRESSÃO DA HUMANIDADE SUBJUGADA AO SEXO 

Amfortas é o paradigma perfeito do Género Humano. Herdando do seu pai Titurel a guarda da Taça do Santo Graal e da Lança, sofre os ataques mágicos de Klingsor. Cede às tentações da feiticeira Kundry que mina a sua resistência, sendo por fim envolvido pela maya dos desejos. Como consequência, perde a soberania da Lança que fora de Longuino, ficando assim desarmado e enfraquecido. Na luta que trava com Klingsor é ferido pelo necromante sinistro. A ferida transforma-se num chaga que carregará por todo o resto da sua existência. A chaga constitui-se uma verdadeira maldição por ter conspurcado a sua pureza virginal com sentimentos impuros e egoístas violadores das suas origens. Segundo JHS, “a ferida de Amfortas é a expressão da Humanidade ainda subjugada pelo pesado madeiro do sexo, a que está presa desde que a Hierarquia dos Kumaras legou a polarização sexual aos seres humanos nos meados da 3.ª Raça-Mãe Lemuriana. Chaga que só será curada com o retorno ao Androginismo Perfeito, que será uma das características das Raças futuras”.



PARSIFAL, O REDENTOR 

Parsifal é o Redentor Síntese que sempre aparece em todos os fins de Ciclos para o dealbar de novas Eras portadoras de Amor, Verdade e Justiça. Trará essa derradeira Mensagem, no sentido de restaurar a pureza original perdida desde a expulsão de Adão do Paraíso Terrestre das tradições. Ele restabelecerá na Face da Terra todo o Esplendor do Santo Graal, a fim de firmar os seus divinais valores na consciência da Humanidade redimida dos seus pecados.



O PAPEL DE KUNDRY

Kundry expressa o elemento feminino, tanto que é a única personagem feminina do drama wagneriano. É ela quem provoca a exacerbação das paixões e desejos irrefreados. Assim, actua como um agente dinamizador da polaridade indispensável para que a Evolução se processe. No drama, ela aparece como sendo a escrava de Klingsor que a impele a fazer um papel contrário à sua essência intrínseca. Mas não deixa de ser o fiel da balança, pois ao mesmo tempo que é um agente corruptor é também um instrumento da redenção do Homem. Neste último sentido, ela é a expressão da Mãe Divina que é de natureza virginal. Kundry, após seduzir Amfortas levando-o à queda (queda no sexo), tenta envolver o próprio Parsifal que é o paradigma do Andrógino Divino, portanto, incorruptível por natureza.



GURNEMANZ É A TAÇA PERSONIFICADA

A Taça do Graal também tem o sentido de Arca da Aliança, de Livro e de Pedra. Guarda em seu augusto seio todas as experiências positivas da Obra do Eterno na Face da Terra. É o Repositório Cósmico onde estão em custódia todos os valores reais, e por isso é considerado a Jóia mais rara que existe no Mundo, eternamente demandada pelos Cavaleiros do Santo Graal de todas as épocas. Segundo a mitologia germânica, Gurnemanz é o Mestre de Parsifal. Ele personifica a tradição sagrada dos ideais mais nobres que animam a Humanidade. Ele é o verdadeiro Cavaleiro do Santo Graal. É o eterno Vigilante que resguarda os mistérios que estão por detrás de todas as revelações. Gurnemanz é o Guardião ou a Memória onde se resguardam os valores reais que devem eternizar-se através das Idades, e que só os Cavaleiros puros de mente e coração conseguem encontrar.

 


 



Fonte:
Cadreno Fiat lux 20

01/12/2023

A Coroa de Espinhos

 

 «Os soldados, tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e vestiram-no com um manto de púrpura; chegavam-se a ele e diziam: Salve, Rei dos judeus! e davam-lhe bofetadas. Outra vez saiu Pilatos e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. Saiu, pois, Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: Eis o homem!» (João 19:2–5) 

 


 

Pelo esforço da Yoga e da Meditação, no interior do homem vai se definindo um novo ser, que pouco a pouco se faz senhor das forças instintivas emocionais. É um período de transição e de crise psíquica por que passam todos os que trilham o caminho do Adeptado. É o período que os Iniciados denominam do Chrestus, do “Homem da Dor”, em que os poderes instintivos emocionais estão sendo dominados por Samael, que todos temos potencialmente. O Microcosmos e o Macrocosmos entre chocam-se, o nosso universo elemental é abalado em suas estruturas. É nesse estado de espírito que a Voz do Silêncio sentencia que o discípulo terá que “lavar os pés com o sangue do coração”.

É a noite espiritual, pois o Mestre Interno, impassível, apenas assiste ao drama do Gólgota. A Personalidade está só na luta. Um grande sentimento de solidão apossa-se da Alma do discípulo, necessariamente ele tem de estar só, pois a luta pertence unicamente à Personalidade e a ninguém cabe o direito de interferir, posto tratar-se de uma gestação interna individual. O caminho da Realização Interna só pode ser percorrido pelos Heróis da Evolução.

Esse período do Chrestus faz parte da história de todos os Grandes Iluminados em todos os Tempos. A Lei é severa e imutável, não há excepção. Vencida a grande batalha da Suprema Iniciação, o Chrestus vencedor, realizador do Arcano 22, santificado pelo Sacrifício, recebe o Christus ou Ungido e funde-se no Senhor. É, doravante, o Mago Perfeito de que nos fala o Arcano Um. É a serpente mordendo a própria cauda – o Ouroboros.

 

Ouroboros



Fonte:
Cadernos Fiat-Lux

01/11/2023

O Mito de Sísifo e Íxion e a Lei da Reencarnação




Sísifo

Sísifo recebeu uma punição: foi condenado a, por toda a eternidade, rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. Por esse motivo, a expressão "trabalho de Sísifo", em contextos modernos, é empregada para denotar qualquer tarefa que envolva esforços longos, repetitivos e inevitavelmente fadados ao fracasso - algo como um infinito ciclo de esforços.


Íxion

Íxion foi morto por Zeus e foi mandado para o submundo, onde — por punição — foi amarrado a uma roda e queimado por toda a eternidade.

Tântalo, Sísifo e Íxion



Reencarnação

Orfeu,  ensinou que a alma imortal aspira à liberdade enquanto o corpo a mantém prisioneira. A roda do nascimento gira, a alma alterna entre liberdade e cativeiro em volta do amplo círculo da necessidade.

Os primeiros textos budistas discutem o renascimento como parte da doutrina de Saṃsāra. Esta afirma que a natureza da existência é um "ciclo da vida carregado de sofrimento, morte e renascimento, sem começo nem fim". Também chamada de roda da existência (Bhavacakra), é frequentemente mencionada nos textos budistas com o termo punarbhava (renascimento, re-devir). A libertação deste ciclo de existência, o Nirvana, é o fundamento e o objetivo mais importante.

 

 

Nós somos o Sísifo girando a roda pela eternidade, só com a autopurificação será possivel que a alma complete a ascensão espiral do destino para viver para sempre.




Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADsifo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reencarna%C3%A7%C3%A3o
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dxion