01/03/2026

Nicolas Flamel - Interpretação das Figuras Hieróglifas

 





Interpretação do Livro das Figuras
Hieróglifas de Nicolas Flamel
por Rubellus Petrinus :



Nicolas Flamel é um dos alquimistas mais conhecidos do século XV.

Nicolas Flamel foi um dos raros alquimistas cuja existência é conhecida mesmo nos mais pequenos detalhes.

Nascido por volta de 1330, muito jovem estabeleceu-se em Paris como escrivão público, numa pequena barraca ao lado da igreja de St. Jacques de la Boucherie. Esta profissão era muito lucrativa na Idade Média, quando existia uma enorme massa de iletrados não só nos miseráveis como também na restante população.

Ela comportava não só a redação de atos oficiais e a arte da caligrafia
como a iluminura de manuscritos. Flamel ao que parece, era um
verdadeiro artista nesta matéria. Copiando livros e ornamentando
manuscritos, o escrivão ganhava o suficiente para levar uma vida
financeiramente desafogada.

Consta que teve um estranho sonho. Viu um livro revestido de uma capa de cobre e cujas folhas, que pareciam ser feitas de cascas finas, ornadas de magníficas ilustrações. O anjo que em sonhos lho apresentou disse: 
«olha bem este livro; parecer-te-á obscuro como a todo o mundo, mas um dia verás aquilo que é preciso ver e saberás o que ninguém sabe...Adormecido, estendeu a mão para receber o livro mas o sonho desfez-se e acordou subitamente.»

Este livro mostrado em sonhos a Flamel, ele o descobrirá na realidade como descreve no seu Livro das Figuras Hieroglíficas:
«Eu, Nicolau Flamel, escrivão e vizinho de Paris, neste ano de 1399,
residindo na minha casa da Rue des Escrivains, perto da capela de St. Jacques de la Boucherie. Ainda que tenha aprendido só um pouco de latim devido aos escassos meios dos meus pais, que, apesar de tudo, eram estimados como gente de bem....Assim pois, quando depois da morte de meus pais, ganhava a vida com a nossa arte da escrita, fazendo inventários, contas, travando os gastos de tutores e de menores, veio-me parar às mão, por dois florins, um livro dourado muito velho e grande. Não era de papel nem pergaminho como os demais, mas de córtices (assim me pareceu) de tenros arbustos. A sua capa era de cobre fino, gravado com letras e figuras estranhas. Creio que poderiam ser caracteres gregos ou de outra língua antiga similar, pois sabia lê-lo e não eram letras ou ornamentos, já que dessa percebo um pouco. No interior, as folhas de córtice estavam gravadas com grande perfeição e escritas com buril de ferro, umas letras latinas coloridas, muito belas e claras. Continha três vezes sete folhas; assim estavam numeradas no alto da folha. A sétima não continha escrito algum. Em vez disso, estava pintado, na primeira sétima, um látego e umas serpentes mordendo-se. Na segunda sétima, uma cruz com uma serpente crucificada.»


Seria fastidioso descrever aqui o que podereis ler no livro acima citado mas queremos chamar a vossa atenção para a descrição da Quarta Lâmina.
«Na quarta folha pintou, em primeiro lugar, um jovem com asas nos
calcanhares e com um caduceu na mão, rodeado por duas serpentes, com o qual golpeava um capacete que lhe cobria a cabeça. Pareceu-me o deus Mercúrio dos pagãos. Contra ele, vinha correndo e voando, com as asas abertas, um velho que levava um relógio atado na cabeça e nas suas mãos uma gadanha como a Morte, com a qual queria cortar os pés a Mercúrio.»







Flamel não tinha, na altura em que adquiriu o dito livro, um conhecimento profundo da simbologia alquímica porque nesta primeira Lâmina estão indicadas simbolicamente as matérias necessárias à obra. Por isso fez uma peregrinação a Compostela onde encontrou um tal Mestre Canches, um sábio judeu que lhe teria explicado o simbolismo.

Na quarta Lâmina a simbologia é mais pormenorizada indicando-nos não só as matérias especificadas na Primeira como também parte do modus operandi.

Le Livre Des Figures Hieroglyphiques não é o melhor e mais explícito de Nicolau Flamel e, nem tão pouco Le Sommaire Philosophique e Le Désir Désiré.

Flamel escreveu outro livro menos conhecido mas que é o mais
importante: O Brevière
Na Introdução do Breviário Nicolau Flamel diz o seguinte:
«Eu, Nicolau Flamel, escrivão de Paris, neste ano de 1414 do reinado do nosso príncipe bendito Carlos VI, que Deus abençoou, e após a morte da minha fiel companheira Perrenelle, me tomou de fantasia e de satisfação, recordando-me dela, para escrever em teu favor, caro sobrinho, toda a mestria do segredo do Pó de Projecção ou Tintura Filosofal, que aprove a Deus dispensar a seu insignificante servidor...Segue, portanto, com engenho e entendimento os discursos dos filósofos acerca do segredo, mas não tomes os seus escritos à letra, porque ainda que possam ser entendidos segundo a Natureza não te serão úteis. Por isso, não esqueças de rogar a Deus que te dispense entendimento de razão, de verdade e natureza, para que vejas neste livro, em que está escrito o segredo palavra a palavra e página a página, como eu fiz e trabalhei com a tua querida tia Perrenelle, que recordo imensamente.»

Consta que O Breviário ou Testamento teria sido manuscrito por Nicolau Flamel e seria dedicado ao sobrinho de sua mulher Perrenelle. Daí ele ser extremamente caridoso, escrito em linguagem clara para a época, mas que hoje um alquimista com conhecimentos profundos da Arte poderá entender o que não acontece com os seus anteriores livros.

Por isso de um verdadeiro Testamento se trata.

Ao que parece, o Breviário foi encontrado pelo Mestre Dom Antoine-
Joseph Pernety do qual teria feito uma cópia ilustrada. Mais tarde o
Cavaleiro Denis Molinier, também ele alquimista, adquiriu a cópia de Dom Pernety e anotou nas margens, cuidadosamente, os esclarecimentos complementares que julgou convenientes para a execução desta via, que ele provavelmente fez ou tentou fazer. Essas anotações, embora um pouco confusas e repetitivas, mesmo assim facilitam muito a compreensão do texto.

Resumindo: a obra de Nicolau Flamel tal como a de Ireneu Filaleto é uma via dos amálgamas. O que numa é omisso na outra é descrita quase ao pormenor por esse motivo complementam-se.

In La Alchimie de Flamel ( Le Brevière) d'après manuscrit du Chevalier Denis Molinier (1772). Editions d'Arte Savary, Carcassome, France.


É inegável que Flamel de repente se tornou capaz de assumir despesas enormes com obras de caridade e deu avultadas quantias para a construção de hospitais em Paris e inclusivamente para a construção da igreja de St. Jacques de la Boucherie.

A tradição popular afirma que no século XVII foram descobertos na adega da casa que pertenceu a Flamel por uma empregada muitos frascos de grés empoeirados que teve a ideia de recuperá-los. Assim esvaziou o conteúdo num riacho, fazendo perder com a sua ignorância, a preciosa provisão de pó de projecção.

Lâmina do Livro das Figuras Hieroglíficas de Nicolau Flamel de Arnauld de la Chevalerie (1682) representando uma arcada que Flamel e sua esposa Perrenelle fizeram construir no cemitério dos Inocentes.
Flamel juntamente com sua esposa Perrenelle teriam sido sepultados na Capela de S. Clemente, em St. Jacques de la Boucherie. Mais tarde, as duas sepulturas seriam transportadas para o cemitério dos inocentes, onde o alquimista havia feito erigir uma arcada com motivos simbólicos e onde o adepto e a sua companheira se acham representados em oração.
Posteriormente a pedra tumular de Nicolau Flamel chegara ao museu de Cluny, em Paris, onde actualmente se encontra.






In História da Alquimia, Serge Hutin, Edições MM, Brasil.

01/02/2026

Idá, Pingalá e Sushuma - Definições


                                




OS GRANDES CANAIS

Existem, além dos 24 Meridianos, outros três canais de energia, muitíssimo importantes para o autoconhecimento e a saúde, e que são considerados como os Meridianos-chefes. Os canais localizam-se ao longo da coluna vertebral. 

Nas tradições hindus são chamados de Ida, Pingala e Sushumna.

Este último corre dentro da coluna vertebral e os outros dois passam ao lado da coluna. Ida e Pingala nascem nos testículos (ou ovários), passam pela coluna vertebral e vão até o centro do cérebro, mais precisamente na glândula pineal (ou epífise). Finalmente, chegam aos terminais olfativos.

Dentro das tradições esotéricas ocidentais, esses dois canais são esquematizados com o Caduceu do Deus Mercúrio.



DEFINIÇÕES DE IDÁ E PINGALÁ

Ida é o canal que nasce no testículo direito (e na mulher no ovário esquerdo) e carrega uma energia "lunar", passiva, e sua cor, vista clarividentemente, é pálida.

Pingalá é o canal que nasce no testículo esquerdo (e na mulher no ovário direito) e por ele circula a energia ativa da natureza, "solar", impetuosa. Esses dois canais se unem, depois de subir ao longo da coluna vertebral, exatamente na glândula pineal (considerada pelos antigos como o assento do Espírito Divino dentro do corpo físico).

Da pineal esses canais partem até chegar aos terminais olfativos.

(Portanto, caro estudante, não estranhe se nos ensinamentos gnósticos alguém lhe disser que o nariz e a energia sexual estão intimamente relacionados. Isso é a total verdade. Essa relação se da principalmente pelos canais acima citados.)

A título de curiosidade, damos outros nomes aos dois canais: 

Idá também é conhecido como Ganges, Sasi, Lalana, Pitryana e Chandra. 

E Pingalá: Sarasvati, Mihira, Rasana, Devayana e Surya.

Já nas tradições esotéricas ocidentais, esses dois canais são chamados de Gabriel ou Mercúrio (Idá) e Miguel ou enxofre (Pingalá). E na tradição cristã esotérica, os dois canais são batizados como as duas Testemunhas do Apocalipse.



DEFINIÇÃO DE SUSHUMNA

Dentro da Laya Yoga, Sushumna È um canal sutilíssimo, tão fino quanto um fio de cabelo (visto clarividentemente), que passa pelo centro da coluna vertebral (chamada de Merudhandra, ou Monte Meru, em cujo ápice, o cérebro, mora o Senhor Shiva). Porém, dentro dele passa outro canal, chamado Vajrini. E dentro desse último passa um canal mais fino ainda, batizado com o nome de Chitrini. ...
Por Chitrini que sobe (por meio de determinados artifícios e exercícios muito especiais), a energia espiritual mais poderosa do
Universo, e que está encerrada dentro do ser humano: Kundalini



Fonte:
http://www.gnosisonline.org

01/01/2026

Mandalas


O Que é uma mandala

Os primeiros registros de mandalas são datados do século VIII, na região do Tibete. Estando espalhadas também em diversos outros países do oriente, como Índia, China e até mesmo no Japão. Em todos os locais a palavra mandala é uma expressão derivada do sânscrito.

O significado da palavra mandala em sânscrito é círculo, que consiste inúmeros significados, externamente como uma representação visual do universo ou internamente como um guia para várias práticas que ocorrem em muitas tradições asiáticas, incluindo a meditação. No hinduísmo e no budismo, a crença é que, ao entrar na mandala e prosseguir em direção ao seu centro, você é guiada através do processo cósmico de transformar todo o sofrimento em alegria e felicidade.

Significado da Mandala

Mandala é um símbolo espiritual e ritual no hinduísmo e no budismo. Os desenhos circulares simbolizam a ideia de que a vida nunca acaba e tudo está conectado. A mandala representa o universo e a jornada espiritual de cada um de nós. Às vezes é desenhada como um círculo envolvendo um quadrado com uma divindade em cada lado que é usada principalmente para auxiliar na meditação e no yoga. Além disso os seus designs têm como objetivo remover pensamentos indesejáveis, e permitir que a mente criativa relaxe e funcione livremente. As pessoas criam e olham as mandalas para centrar o corpo e a mente..
Onde e quando elas foram criadas?

Os primeiros registros de criação de mandalas data do século 8, na região em que fica localizado o Tibete. Desde o princípio os desenhos eram usados na religião budista como uma forma de concentração e auxílio na meditação.

No mesmo período também foram encontradas mandalas nas regiões da Índia, China e mais tarde no Japão. Fazendo parte assim, não só do budismo, bem como do hinduísmo e até do taoismo, onde os símbolos yin e yang são considerados uma mandala.

Mandalas e seus significados

As mandalas estão em alta e presentes em nosso cotidiano. Seja em artesanatos ou em tatuagens, existem vários tipos de mandalas e elas podem ter muitos significados.

Mandalas são desenhos de formas geométricas concêntricas. Ou seja, que se desenvolvem a partir de um mesmo centro. Desde o princípio, os desenhos são denominados de yantras.

As formas podem ser criadas com diversos materiais, mas sempre são extremamente coloridas. O meio mais comum de criar mandalas é através de tintas coloridas em papel ou tela. Contudo, alguns templos budistas guardam a tradição da confecção de mandalas com ferro ou madeira.

Há ainda um outro método de criação de mandalas ainda mais especial, que é feito por monges budistas de alguns templos ao redor do mundo. Nesses templos os monges estudam por anos a arte da criação de mandalas usando areia colorida. A confecção do desenho pode se estender por horas ou dias e quando o desenho é completado ele é imediatamente destruído. Só então o material usado é descartado em algum rio. Essa arte serve para representar que tudo na vida é passageiro.






































Fontes:
https://blog.vidatarot.com.br/tipos-de-mandalas/
https://yogateria.com.br/mandala/
https://www.estudopratico.com.br/o-que-e-mandala/
https://yogateria.com.br/wp-content/uploads/2020/11/mandala-yogateria3-scaled-1536x1024.jpg
https://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2018/08/mandalas-o-que-e.jpg
https://www.imagick.com.br/mandalas/

01/12/2025

Poesias Esotéricas de Fernando Pessoa



                                         


Quão alto fui para o que todos são
Quão baixo para o quanto quis em mim
Vi e toquei o que a outros é visão
Em sombras ou desejos, vaga e escura
Na confusão da confusão sem fim
Sou hoje a minha própria sepultura
Tenho deserto e alheio o coração.


                      


Com o escopro e o malhete do alcançar
Quebrei a Pedra Cúbica do altar.
E a Pedra Cúbica abriu-se em Cruz.
Quebrara o Altar, então a mim quebrei
Então em sangue
sobre o centro da Cruz me derramei
Alli, sacrificado ou sacrifício
Exausto, nullo, senti meu enfim
Aquelle coração que era fictício 

Consegui. Paz Profunda meus irmãos.



E então vi que essa Cruz em que converso
Jazia o altar outrora meu
Era, em Cruz de Luz, todo o Universo
E que essa Cruz era quem fora eu.
Sobre ella a Luz Perfeita em mim erguida
Cahira numa inteira identidade
Pois esta Pedra Cúbica partida
E a minha alma em Luz Pura resolvida
Eram a mesma coisa. Eram a Vida e a Verdade.




Fonte:
https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/18974/2/Fabio%20Mendia.pdf
Paginas: 381-382